Endometriose Intestinal. O que você precisa saber?

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Endometriose Intestinal. O que você precisa saber?

Neste artigo, iremos abordar as características e as possibilidades de tratamento da endometriose intestinal.

A endometriose é uma enfermidade que se manifesta quando um tecido muito semelhante ao endométrio – responsável por revestir o útero para uma possível gestação – acaba por se instalar e crescer em outras partes do organismo da mulher.

Na maioria das vezes ela acomete órgãos pélvicos, como bexiga, trompas de Falópio e, inclusive, intestino.

Este tecido análogo ao endométrio localizado de maneira indevida no intestino, aumenta de espessura gradativamente em resposta à presença do estrogênio. Porém, ao contrário do endométrio real que é expelido pela menstruação, ele não encontra um caminho de saída e passa a causar diferentes e incômodos sintomas.

A medicina classifica a endometriose intestinal em duas categorias: superficial e profunda.

Como o próprio nome diz, a endometriose superficial desenvolve-se na superfície do intestino. Enquanto que, por sua vez, a endometriose profunda invade a parede intestinal e prejudica a parte interior do órgão.

Os sintomas

Os principais sintomas que podem ser causados pela endometriose intestinal incluem:

  • prisão de ventre;
  • diarreia; 
  • dor pélvica severa;
  • movimentos intestinais dolorosos;
  • sangramento retal (raro).

A endometriose pode se manifestar em qualquer segmento do intestino. Todavia, um estudo publicado em 2014 na revista acadêmica World Journal of Gastroenterology, apontou que em aproximadamente 90% dos casos de endometriose intestinal, as partes afetadas são o cólon sigmóide ou o reto.

É importante ressaltar que a sintomatologia varia bastante entre as pacientes, pois está intimamente relacionada aos ciclos menstruais. Geralmente, os sintomas tendem a se manifestar com mais intensidade nos dias que antecedem a menstruação.

Por outro lado, os sintomas podem ficar mais brandos quando a paciente entra na menopausa e, consequentemente, os níveis de estrogênio diminuem.

Possíveis causas

A ciência ainda não descobriu porque a endometriose se manifesta em determinadas pessoas.

Existe a teoria da menstruação retrógrada, que considera a possibilidade do sangue menstrual seguir o fluxo contrário e subir pelas trompas carregando consigo partículas endometriais para a pelve.

Outra possibilidade leva em consideração cirurgias uterinas anteriores ao quadro endometriótico.

A explicação é a de que células do endométrio poderiam se alojar no local da incisão e, em alguns casos, fariam o deslocamento até o intestino.

Alguns pesquisadores apontam elos genéticos ou mesmo fatores hormonais como possíveis causas para o surgimento da doença.

O diagnóstico

Pela similaridade entre os sintomas da endometriose no intestino e os indícios de outras complicações intestinais, é fundamental identificar de forma correta o problema.

Descartar a possibilidade de tumores retais, colite e síndrome do intestino irritável é imprescindível.

Depois de realizada a anamnese, a revisão do histórico de saúde e os exames físicos, podem ser solicitados exames adicionais para confirmação do diagnóstico:

  • ultrassonografia;
  • videolaparoscopia;
  • sigmoidoscopia;
  • ressonância magnética;
  • tomografia computadorizada.

Os tratamentos

A cura para a endometriose ainda não foi desenvolvida, entretanto existem diversos tratamentos que visam devolver a qualidade de vida à paciente.

A escolha correta do tipo de tratamento depende de muitos fatores, como a saúde geral da pessoa e a severidade dos sintomas.

Apenas médicos capacitados podem indicar a melhor alternativa terapêutica.

As possibilidades de tratamento são as seguintes:

  • Medicamentos para dor: Nos casos de sintomatologia leve, analgésicos como paracetamol e ibuprofeno pode ser indicados.

Esses fármacos não impedem o desenvolvimento indevido do tecido endometrial, mas auxiliam no controle das dores e outros incômodos.

  • Terapia hormonal: consiste no uso de medicamentos anticoncepcionais para controlar os níveis de progesterona e estrogênio.


A utilização deles colabora para a contenção do acúmulo de tecido endometrial e   para diminuir seu crescimento no intestino.

Em alguns casos podem ser receitados análogos do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) para interromper a ovulação e o desenvolvimento do endométrio.

Essas são medidas paliativas, pois os sintomas costumam retornar quando a administração dos medicamentos é interrompida.

  • Cirurgia: Caso a terapia hormonal não seja suficiente, o médico pode indicar uma cirurgia.

O tipo de intervenção cirúrgica depende da classificação da endometriose intestinal como superficial ou profunda.

Para endometriose superficial, o procedimento consiste na retirada do tecido endometrial anormal do intestino, mas preservando o órgão intacto.

No caso de adesão profunda do tecido, as lesões são removidas e as incisões feitas no intestino fechadas.

Para casos mais graves, a remoção de partes do intestino pode ser necessária.

É fundamental, para a saúde feminina que os exames de rotina sejam feitos. 

As consultas também são muito importantes para que diagnósticos precoces possam ser realizados e os tratamentos tornem-se mais eficazes.

Procure seu médico de confiança e tire todas as dúvidas. Cuide-se.